Uaninauei

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MENINA VITÓRIA


1. Nascer Crescer Morrer


2. Gémeo Mau


3. Maria Manuela


4. Assaltos Legais


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NASCER CRESCER MORRER


Quem tem a lua quer o sol
É indiferente ao luar
E pensa em chuva por dentro
Dorme lá fora ao relento

Quem tem a chuva pede o mar
É indiferente ao seu sal
Procura apenas nadar à deriva
Gastar um mar de saliva

A não dizer o que foi
A não dizer o que quer
O vento passa
É-lhe indiferente o luar
O sol, o mar
O sal, a chuva

Quem se arrepende quer voltar
E fazer tudo outra vez
Mas de uma forma diferente
Mas, e se de repente

O barco não se afundar
Ao fundo aguarda uma terra perdida
Onde se vai encontrar
Novo rumo para a vida

A vida dói ao nascer

Quem fica pensa em partir
Mas não consegue com o medo
E cava a própria cova
Lugar à gente nova

Quem foge pensa em ficar
Lugar nenhum os aconchega
Antiga ferida que cura
Já nova queda se augura

Não vai dizer porque foi
Não vai dizer o que quer
Vem o consolo
Pela porta da dor
E chora e ri
E cresce e morre

A vida dói ao crescer

Quem ladra pensa em miar
Não se arrepende de nada
Se não tiver que chorar
Que chore outro em seu lugar

Quem anda pensa em voar
E mata o pássaro
E quando o voo falha
Quando a morte se espalha

Não vou dizer porque foi
Não falhei eu mas as asas
O velho abre o buraco
Onde hei-de cavar
O túnel de outra vida ou não
Ou não

A vida dói ao morrer



GÉMEO MAU


Transformado na essência

Dos erros que lá vão

O culpado não tem cara

Muito menos razão

 

Mora dentro das almas penadas

Que só estão bem

Sem ver ninguém

Quando o ego quer vingança

Contra o que o contém

 

Sai do buraco

E torna-se animal

 

Culpa o gémeo mau

Que pisa a alma onde dói

Culpa o gémeo mau

Que é triste e insiste no que destrói

 

Irritado sem motivo

Ou forma de expressão

Vai julgando quem está vivo

Por serem como são

 

Quer que os outros se mostrem e deixa

O que quer ser

A apodrecer

E vê mentiras nas verdades

Que não quer entender

 

Até que explode

Rebenta-lhe na mão

 

Culpa o gémeo mau

Que não aceita a rejeição

Culpa o gémeo mau

Reflexo anexo à solidão

 

Bola de neve que aumenta e rebenta

E arrasta o pouco que tens

Quem se esconde

Desculpa e inventa

Ódios e culpas em alguém

E foge ao real

 

Culpa o gémeo mau

Que pisa a alma onde dói

Culpa o gémeo mau

Que é triste e insiste no que destrói




MARIA MANUELA


Fazia ponto de cruz

De agulha torta sentada à porta

Até já não haver luz

E à noite corta

O que vem da horta

 

Em frente à televisão

Telejornal e novela sem sal

E já nem lhes dá atenção

Mete o dedal e tece a espiral

 

Do tempo de outra qualquer vida

Na manta rota de uma história comprida

 

Põe o feijão a cozer à panela

Maria Manuela

Não acendas a vela

Não te embrulhes nesse xaile preto

Nem chores mais atrás do coreto

Põe antes uma flor à lapela

E vem espreitar à janela

Maria Manuela

 

Entretinha-se a decorar

A mobília com memorabília

Do que acabou por sobrar

Da quezília na própria família

 

Nunca tinha visto o oceano

Senão da torneira da sua banheira

E num búzio ouvia as ondas bater

Na areia de um mocho à lareira

 

E um dia hás-de encontrar marido

Na história de alguém que andou perdido



ASSALTOS LEGAIS


Se o rei da manada

Quiser tudo ou nada

Ao preço amargo de um presente envenenado

Fico a dever, despreocupado

 

Mas eu não pago

Nem tenho maneira de pagar

Se o luxo é pouco

Não sobra nada para te dar

 

E comes tudo por demais

Em assaltos legais

E comes até não dar mais

Em assaltos legais

 

Se um caloteiro te promete a lua cheia

Quando ela sobe, só está meia

 

Passaram-te um cheque

De ouro em pechisbeque

E agora o mês já não aguenta tantos dias

O bolo já vem às fatias

 

Mas eu não pago

Nem tenho maneira de pagar

Se o luxo é muito

Não sobra nada para te dar

 

E comes tudo por demais

Em assaltos legais

E comes até não dar mais

Em assaltos legais

 

Mas eu não pago

Nem tenho maneira de pagar

Se o luxo acaba

Não sobra nada

Nada para te dar




Músicas por Uaninauei

Letras por Daniel Catarino

(c) 2013 Uaninauei